Por Diniz Giuseppi
São dez, são cem, são mil. Um conglomerado de pessoas correm desesperadamente por escadas. Gritos, apertos e desespero cercam quem por ali passa. Não estamos no meio do sertão semi-árido, porém, a falta d’água é a principal causa do barraco armado na Estação da Lapa num dia desses. Uma verdadeira guerra do MSB – Movimento dos Sem-Banheiro.
Eu li a notícia no jornal e fiquei pensando. Imagina se a moda pega? As pessoas saírem de casa com o seu pequeno reservatório debaixo do braço para usar em casos de necessidades especiais? Os detalhes sórdidos são muitos para eu estar aqui comentando. Se falta tudo e eles até prevêem a falta de água em 2000 e não sei quanto, não me espanto se na próxima semana abrir o jornal e vir a manchete: Comércio na Lapa – Vendedores da água faturam milhões.
Ninguém sabe porque ela faltou. Será que foi o interminável metrô? Ou greve da empresa de abastecimento? Como todo mundo decide parar as atividades por melhores salários, talvez a bola da vez sejam os limpadores de banheiro. Não limpo, não limpo e não limpo!
Imagina que não precisa fazer uma greve para os banheiros começarem a exalar odores desagradáveis. Isso a gente já sente lá mesmo na Lapa. Dias desses quando estava passando por lá, em meio a tanta correria, percebi que um determinado trecho estava vazio. Foi aí que pensei: é minha chance de deixar estas pessoas para trás e correr para pegar o ônibus. Não sei bem o que me aconteceu depois desse maléfico pensamento.
Me aproximei e no mesmo momento pedi a morte. Que fedor da... É melhor não continuar com o vocábulo. O cheiro era tão mal cheiroso que as narinas inflamaram com aquele misto ácido, azedo, velho e efervescente de urina. Se tivesse um vendedor de água eu teria comprado. Mas, acho que o melhor negócio eram máscaras de oxigênio. Pois, só com roupa e aparatos especiais se pode entrar num sanitário daqueles.
E a água estava por lá. Pense bem neste dia em que ela faltou. O MSB levantou as bandeiras e foram parar no shopping. As filas eram mais gigantescas do que as do cinema ou do Mc Donald. No atual momento que passo da escassez de verbas, teria até feito negócio. Eu poderia ser um cambista para vender lugares na fila. Alugar cadeiras para os “bexigas-apertadas” sentarem. Ou na pior das hipóteses vender pinicos a R$1,99 feito com plástico reciclável.
É engraçado, mas quem já sofreu com a bexiga cheia é que pode dizer o quanto dói. Mas, pimenta na bexiga dos outros é refresco. É melhor eu deixar as bexigas de lado e voltar para a confusão. Se o problema persistir, é melhor sair prevenido de casa. Acho que o mais normal seria a famosa lata d’água que virou até música popular. Os ônibus já são lotados, Imagina a nova: Posso segurar sua lata?
Eu que não me arriscaria dar minha lata para ninguém guardar. A lata é minha e ninguém pega! Em época de eleição dá até para ganhar uns votos com o problema da falta de água na Lapa. Vote em Senhor Bexiga. A favor dos sem banheiros e das bexigas cheias. O jingle todo mundo ia aprender a cantar. “Lata d’água na cabeça, lá vai Maria”, José, João para a fila. Se bobear, perde o lugar! Eu prefiro votar em branco.
quinta-feira, outubro 05, 2006
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário